Redespacho no transporte: entenda como funciona

O setor de transporte enfrenta um cenário cada vez mais competitivo, com desafios que vão da logística à distribuição em larga escala. Para conseguir atender às exigências do mercado, reduzir custos e ampliar sua área de atuação, muitas transportadoras adotam modelos operacionais mais flexíveis. Entre eles, destacam-se o redespacho, o redespacho intermediário e a subcontratação.

Neste conteúdo você vai entender, de forma prática, como funciona o redespacho.


O que é redespacho

O redespacho acontece quando duas ou mais transportadoras participam da mesma operação de entrega. Uma delas assume o contrato com o cliente e repassa parte do transporte para outra empresa.

A transportadora que mantém o vínculo com o cliente é chamada de redespachante. Ela continua responsável pela entrega completa da mercadoria até o destino final.
A empresa que executa parte do percurso é a redespachada, que responde apenas perante a redespachante, sem relação direta com o remetente da carga.


Quem participa da operação

  • Remetente: quem envia a mercadoria.
  • Destinatário: quem recebe a mercadoria.
  • Redespachante: transportadora contratada pelo remetente.
  • Redespachada: transportadora contratada pela redespachante para executar parte do transporte.

Exemplo prático

  1. A Indústria X, localizada em Piracicaba-SP, precisa entregar uma mercadoria para a Empresa Y, em Maringá-PR.
  2. Para isso, contrata a Transportadora A, também de Piracicaba-SP.
  3. A Transportadora A decide realizar apenas o trecho até São Paulo-SP e contrata a Transportadora B para concluir a entrega até Maringá-PR.

Essa operação caracteriza um redespacho.


Pontos de atenção no redespacho

Prazo de entrega

O prazo acordado com o cliente deve ser respeitado. Por isso, o planejamento das rotas e dos repasses entre transportadoras é fundamental para evitar atrasos.

Custo do frete

Se o frete estiver embutido no valor do produto, a redespachante precisa garantir que o redespacho não encareça a operação e gere prejuízo.

Quando o frete é cobrado separadamente, o planejamento também é essencial para evitar aumentos excessivos que possam levar o cliente a desistir da compra.


Documentação da operação — emissão do CT-e

Como o transporte ocorre em duas etapas, dois CT-e devem ser emitidos:

CT-e da Redespachante

  • Emitente: Transportadora A (22222222222222)
  • Início e fim da prestação: Piracicaba-SP → Maringá-PR
  • Remetente / Tomador: Indústria X (11111111111111)
  • Destinatário: Indústria Y (44444444444444)
  • Recebedor: Transportadora B (33333333333333)
  • Tipo de serviço: Normal

CT-e da Redespachada

  • Emitente: Transportadora B (33333333333333)
  • Início e fim da prestação: Piracicaba-SP → Maringá-PR
  • Remetente: Indústria X (11111111111111)
  • Destinatário: Indústria Y (44444444444444)
  • Expedidor / Tomador: Transportadora A (22222222222222)
  • Tipo de serviço: Redespacho
  • Documento anterior: CT-e da Transportadora A
  • Chave referenciada: chave do CT-e emitido pela redespachante

DACTE

O DACTE deve acompanhar a carga do início até o destino final.
Como existem dois CT-e na operação, ambos os DACTE devem acompanhar a mercadoria durante todo o percurso.

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